Olhar Interior, 19 de janeiro de 2014

Presente Digital, Futuro Infernal

Os verbos são postar, curtir, comentar. As pessoas estão simplificando as relações com apenas um click, apoiado na palma da mão. Se quer fazer um amigo adiciona, se quer um inimigo, deleta, se está chateado não curte. Nas redes sociais as pessoas se mostram como vitrines, em seu dia a dia. Nelas podemos ser qualquer um que quisermos, belos, ricos, felizes com muitos amigos, é o que dizem as hashtags nas legendas. O mundo contemporâneo está muito fútil, não é suficiente um sorriso deslumbrante, tem que ter na mão, um bom espumante. Espetacularizar e arrasar, aparentar como se tudo pudesse comprar, e assim ganhar alguns milhões de curtições, já que essa é a moeda de maior cotação. As crianças, nos dias atuais, estão subordinadas aos mais modernos modelos de celular, dessa forma se sentem mais populares. Esse comportamento soma-se a construção de valores distorcidos, que estamos ajudando a cultivar, com a conjugação dos tão cobiçados verbos, ter, exibir, disputar, impressionar, todos no tempo imperativo. Sentir alegria é uma magia, muito maior que qualquer fotografia, e a felicidade, de verdade, não cabe dentro de uma telinha, ela é intrínseca, e quando descobrimos onde em nós está, certamente será plena em qualquer lugar, sem a necessidade de ser estampada, porém sentida e vivenciada. Infelizmente os verbos, sensibilizar, cooperar, ser, compreender, entre outros, imprescindíveis para as profundas relações, foram silenciados e abandonados no pretérito e enquanto aceitarmos esse presente digital superficial, dificilmente teremos a indicação do caminho para o desejado futuro simples, o mais que perfeito.

Mônica Figueiredo de Melo – Psicóloga – monicademelo@hotmail.com

A importância do grupo

Um homem deixou de participar das reuniões de um grupo de amigos. Após algumas semanas, o líder do grupo decidiu visitá-lo. La chegando o encontrou sozinho, sentado diante da lareira. Adivinhando a razão da visita, o homem conduziu-o a uma cadeira perto da sua e ficou esperando. O líder acomodou-se, mas não disse nada, apenas contemplava a dança das chamas. Após alguns minutos, o líder examinou as brasas e cuidadosamente colocou uma delas, a mais incandescente, afastada do fogo. Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso. O anfitrião olhava quieto vendo que chama da brasa solitária diminuía, até que se apagou. Nenhuma palavra tinha sido dita entre os dois amigos. O líder, antes de se preparar para sair, colocou de volta o carvão apagado no meio do fogo. Quando alcançou a porta, seu anfitrião disse: – obrigado por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo.

Quero saber

Vai fazer um mês que fui assaltada a mão armada. Fiquei paralisada, em estado de choque com medo de morrer. Desde então, não durmo direito e não quero sair de casa depois que escurece. Não sei o que fazer para tirar a cena de minha cabeça e também não quero chorar para não parecer fraca. Isto é normal?

Camila.

Resposta

Prezada Camila,

Você há pouco tempo viveu uma experiência muito ameaçadora e é provável que não tenha ainda ultrapassado e dissolvido o medo aprisionado no seu corpo. Nos primeiros dias, após um episódio potencialmente traumático, as pessoas podem apresentar alguns desconfortos como alteração do sono, medo de sair, recordações repetidas, ansiedade e/ou outros sintomas gerados pela situação ameaçadora. Você precisa de um tempo para elaborar o ocorrido. Chorar e falar sobre o que sente é saudável. Compartilhe seus sentimentos e procure ficar no momento presente. Se achar melhor procure uma ajuda profissional.

Atenciosamente,

Grace Wanderley de Barros Correia – Psicóloga CRP 02/0279

As perguntas devem ser enviadas para libertas@libertas.com.br