Medicinal –

Por Waldomiro Carlos Manfroi

O que é?

O infarto do miocárdio é a morte de um segmento do músculo cardíaco, determinada pela interrupção brusca da corrente sangüínea numa das artérias coronárias nutridoras do coração. A causa mais freqüente dessa interrupção deve-se à trombose, ruptura da placa, hemorragia ou espasmo que se forma no interior do vaso sangüíneo.

O coração dói?

Freqüentemente, as pessoas surpreendem com perguntas sobre questões que os médicos imaginavam que já fossem de domínio público. O coração dói?
Essa é uma questão que surge nas conversas em geral e com bastante freqüência durante a entrevista do médico com os pacientes e ou familiares.

O que se ouve falar, comumente, em ambas ocasiões é:
“Eu sei que coração não dói…; por isso, não me preocupo tanto por causa dessa dor no peito”.

Não se conhece a origem desse entendimento errôneo. Sabe-se que ele prepondera na população. É um fator negativo, responsável pelo atraso na identificação da doença do coração com suas graves conseqüências.

Para desfazer esse mal-entendido de que o coração não dói, informamos que dói, sim. E é uma dor profundamente intensa e angustiante.

Há duas formas mais comuns de manifestação da doença isquêmica do coração: Angina do Peito e Infarto do Miocárdio.

A dor da angina ?

Na angina do peito, a dor é forte, em aperto ou em opressão, queimor, ardência ou peso. Localiza-se, geralmente, no centro do peito, atrás do osso, podendo irradiar-se para o braço esquerdo, braço direito, ambos os braços, para o pescoço, mandíbula e para as costas.

Não raro, a dor começa nos braços, na região do estômago, no lado esquerdo, nas costas e, minutos após, pode se estender para o centro do peito. É geralmente provocada por esforços, emoções, podendo ocorrer também após refeições, em repouso ou durante o sono. Ela tende a aliviar em poucos minutos, cessada a causa desencadeante.

A obtenção do alívio em poucos minutos com a colocação de um comprimido de nitrato debaixo da língua é uma das maneiras que se usa para caracterizar que a dor é devida à angina do peito. Diferencia-se de outras causas que determinam dores no peito por não se agravar com a respiração, com a tosse, com movimentos do tórax, por compressão no local ou por mudanças de posição do corpo.

A dor do infarto do miocárdio

No infarto do miocárdio a dor tem localização, caráter e irradiação semelhante às da angina do peito. Distingue-se dessa por surgir geralmente em repouso, por ser mais intensa e prolongada e por estar acompanhada de intenso mal-estar, sensação de morte iminente, suores frios e vômitos. É uma das dores mais fortes que existem. É muito intensa, quase incompatível com a vida: para a vida continuar, é preciso que a dor cesse.

Terminologia

Há diversos termos usados para designar o evento clínico que determina morte de um segmento do músculo cardíaco. Dentre os mais empregados, destacam-se: infarto e enfarte. A palavra infarto é mais usada no Sul do Brasil e enfarte, nas outras regiões.

Enfarto ou enfarte não são termos usados pelos médicos. Do ponto de vista da origem da palavra, infarto e enfarto significam inchaço, edema de uma área do corpo. Quem causa o edema é a morte do tecido. A palavra infarto, a nosso ver, expressa melhor os achados patológicos da área comprometida e a etimologia da palavra, daí, nossa preferência para seu emprego.

Em que idade ocorre?

Atinge homens e mulheres na mesma proporção?

O infarto pode ocorrer em qualquer idade acima dos 25 anos, mas é mais freqüente entre os 45 e 65 anos. Ele pode se manifestar em qualquer hora do dia ou da noite, mas é mais freqüente nas primeiras horas do dia. Quase sempre surge de forma abrupta, durante repouso ou na presença de emoções fortes. O aparecimento de modo inesperado e estranho é uma de suas características. Cinqüenta por cento dos pacientes acometidos de infarto nunca sentiram nada parecido antes.

Até poucas décadas, a incidência de infarto do miocárdio era na ordem de seis homens para uma mulher (antes da menopausa). Essa proporção diminui bastante depois da menopausa. Mas na atualidade, depois que a mulher passou a assumir seu papel de liderança na sociedade, passou a fumar e a tomar pílulas, a diferença diminuiu de modo significativo, principalmente nos últimos anos. E, além de comparecer cada vez com mais freqüência e com maior gravidade, a doença tem acometido mulheres cada vez mais jovens.

Como o infarto pode ser prevenido?

As medidas mais eficazes para evitar o infarto do miocárdio devem ser tomadas de forma conjunta entre equipes de saúde e a sociedade. Nos países onde se desenvolveram programas comunitários de esclarecimento e onde medidas preventiva foram tomadas, evidenciou-se a diminuição do infarto do miocárdio e da morte súbita.

O meio mais eficaz é corrigir os fatores de risco, tais como: fazer exercícios, reduzir o colesterol no sangue, abandonar o fumo, controlar a pressão arterial e o diabete melito. As dietas, o uso de remédios e os exercícios são fatores determinantes para reduzir as gorduras no sangue e evitar o entupimento das artérias. Para os pacientes que têm a doença sem sintomas, o uso de aspirina junto a outros medicamentos diminui de modo significativo a incidência do infarto e da morte súbita.

Como saber se uma pessoa está infartando

e como proceder? O infarto se apresenta de forma abrupta, traiçoeira, por meio dor muito forte no peito. É uma das dores mais intensas e angustiantes que existem, impossível de ser tolerada por muito tempo. Freqüentemente, a dor é acompanhada por sensação de morte iminente, suores frios, palidez, náuseas e vômitos. A ajuda deve ser imediata, através de atendimento especializado, quando disponível, ou pelo serviço médico mais próximo. Se a pessoa sabe que tem a doença, deve usar o comprimido (nitrato) debaixo da língua (recomendado pelo médico) e ingerir um comprimido de aspirina.

É uma situação grave, determinante da morte de 50% dos pacientes antes de chegarem ao hospital. Esse índice pode ser reduzido para 10%, para os pacientes que conseguem alcançar um local com estrutura e recebem atendimento especializado com todos os recursos tecnológicos disponíveis.

Vencida a fase aguda, o tratamento não cessa. Começam, então, as medidas de ordem preventiva para evitar outros infartos. Os pacientes precisam mudar seus hábitos de vida: reduzir as gorduras no sangue, baixar o peso, abandonar o fumo, fazer exercícios, controlar a pressão e tomar os medicamentos recomendados.

Atualização: 02/07/2000