Olhar Interior, 16 de fevereiro de 2014

Aceitação

Durante o decorrer da vida aprendemos a criar objetivos e buscar realizá-los com determinação e apego. Da mesma forma, são muitas as pessoas que desenvolvem uma rigidez no comportamento desejando controlar todas as situações. Quando algo não acontece como o previsto, a frustração gera contrariedade e, muitas vezes, vai se formando um acúmulo de tensão que afeta os relacionamentos. Para algumas pessoas, o tempo e as experiências possibilitam desenvolver uma visão mais ampla da realidade, em que tudo é impermanente, nada é fixo e, portanto, não se tem controle absoluto de coisa alguma. Compreender que a vida é inesperada requer atitudes de aceitação em qualquer circunstância, por mais dolorosa e difícil que seja. Desapegar do passado e aceitar a nova realidade, sem se aprisionar pela dor e nem deixar de enxergar a beleza misteriosa da vida. Confiar na sabedoria cósmica do Universo e acreditar no sentido profundo ligado a tudo que acontece na vida, ainda que não alcancemos. Desenvolver o potencial de resiliência que todas as pessoas têm, pois esta possibilita a ultrapassagem dos obstáculos pela mente solucionadora, flexibilidade a abertura para se aprender com as experiências. Ampliar a visão conectada com a pulsão de vida e parte sã de todas as pessoas pode ser um caminho de superação do sofrimento, gerado pelos condicionamentos externos e internos. Prática difícil, mas possível, a de manter-se no presente com abertura de coração para se sentir o amor e a dádiva do existir.

Grace Wanderley de Barros Correia – grace@libertas.com.br

O sábio ancião

Um imperador chinês orgulhava-se de sua coleção de 12 pratos de porcelanas tão raras quanto antigas. Certo dia um empregado quebrou uma das peças, e por isso foi condenado à morte. Às vésperas da execução, um sábio ancião, apresentou-se ao imperador comprometendo-se a recompor a coleção se o servo fosse perdoado. Acreditando nesse milagre, o imperador aceitou. Quando os pratos restantes e os pedaços da porcelana quebrada foram arrumados sobre uma toalha em uma mesa, o sábio num gesto inesperado puxou a toalha. As preciosas porcelanas caíram sobre o piso, transformando-se em cacos. Sob olhares espantados, o sereno ancião falou: – Eu sou idoso e já vivi além do que deveria. Estou pronto para morrer no lugar dos que, no futuro, possam vir a quebrar mais alguma peça. Assim, com minha morte, salvarei 12 vidas. O imperador comovido libertou o velho e o servo.

Quero saber

Tenho uma amiga de quem eu sou padrinho da filha dela. Ela está passando por grande sofrimento, perdeu a mãe faz oito dias, o pai sofreu um segundo enfarto e está muito mal na UTI, e a avó que ela gosta muito está internada entre a vida e a morte. Ela está desesperada. Procuro uma forma de aliviar o sofrimento dela e não consigo. Me oriente por favor, o que eu posso fazer?

José Luiz

Resposta

Prezado José Luiz,

Compreendo sua generosidade e desejo de ajudar sua amiga.

Quando alguém está passando por momentos de perda e dor é muito confortador sentir que tem amigos, amigas e que pode contar com a solidariedade dos mesmos. Estar perto, deixar que a pessoa expresse os sentimentos, que chore sem repressão. Algumas vezes, ficar junto em silêncio constitui um grande suporte. Há um tempo de luto e tristeza que é necessário ser vivido. Você está ajudando com sua amizade.

Atenciosamente,

Grace Wanderley de Barros Correia

Psicóloga CRP – 02/0279

As perguntas devem ser enviadas para: libertas@libertas.com.br