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A obesidade é um dos maiores vilões da sociedade moderna influindo negativamente em vários índices, principalmente como fator de risco de doenças cárdio-vasculares, hipertensão arterial e enfarte, doenças metabólicas como diabetes e gorduras elevadas no sangue. Doenças osteoarticulares dos joelhos e coluna são muito freqüentes. É também, importante causa de fadiga crônica quando associada a um distúrbio que interfere com a qualidade do sono, impedindo o adequado descanso por interferir na respiração durante esse período: a tão conhecida apnéia do sono. Enfim, a obesidade é responsável por inúmeros males à saúde.

Vários estudos com animais de laboratório têm demonstrado que uma redução de 60% da carga energética ingerida, reduz substancialmente a incidência de câncer entre esses animais quando comparados com os animais que se alimentam normalmente. A incidência dos cânceres induzidos por vírus, por agentes químicos, bem como os casos espontâneos, parecem estar diminuídas por esse motivo. Muitos estudos em humanos têm-se mostrado compatíveis com os resultados observados com os animais, indicando que o excesso de peso apresenta uma relação com o aparecimento do câncer, mas dados conclusivos não haviam sido apresentados até algum tempo atrás.

Pesquisadores americanos avaliaram dados de mais de 900.000 pessoas que voluntariamente, inscreveram-se em um estudo de prevenção de câncer iniciado em 1982 nos EUA denominado Estudo de Prevenção de Câncer II, os quais não apresentavam quaisquer evidências de câncer no início do estudo. Analisando um grande registro de óbitos os pesquisadores identificaram cerca de 57.145 óbitos por câncer num período de acompanhamento de 16 anos dentro daquele grande grupo. Para fins de comparação, os cientistas cruzaram os dados de freqüência de diversos tipos de câncer com o índice de massa corporal (IMC) no início do estudo. É considerado um fidedigno espelho da gordura total do nosso organismo. É calculado dividindo-se o peso em Kg pela altura elevada ao quadrado em metros. É considerado normal IMC até 25. IMC de 25 a 30 define o sobrepeso e acima de 30 a obesidade, sendo considerados obesos mórbidos os pacientes com IMC maiores que 40.

Os resultados da comparação da incidência de câncer com o IMC foram impressionantes. Os pacientes mais pesados apresentaram incidências de todos os tipos de câncer 52% mais elevadas (para homens) e 62% mais elevadas (para mulheres) que os pacientes com peso normal. Em todos os pacientes com excesso de peso a mortalidade por certos tipos de câncer também foi mais elevada que nos pacientes sem obesidade, fato esse que pode ter grande impacto em países com elevada população de obesos como é o caso dos EUA Realizando análises estatísticas refinadas nestes mesmos pacientes, os autores da pesquisa concluem também, que a proporção de todos os óbitos por câncer que podem ser atribuídos ao excesso de peso em pessoas acima dos 50 anos é de 14% para os homens e 20% para as mulheres. Ou seja, a obesidade interfere mais na incidência e mortalidade por câncer nas mulheres. Esses fatos significam que entre os americanos, cerca de 90.000 mortes ao ano por câncer poderiam ser evitadas se toda a população adulta daquele país pudesse manter um IMC normal durante sua vida.

A Agência Internacional de Pesquisa de Câncer concluiu que já existem bastantes evidências de um efeito preventivo de câncer caso se previna o aparecimento da obesidade nos casos de tumores do intestino grosso (colon), mama (nas mulheres após menopausa), endométrio (útero), rim e esôfago. Não se tem estabelecido as possíveis razões da associação da obesidade com alguns tipos de câncer, mas acredita-se num potencial efeito biológico de certas substâncias que estariam mais elevadas nos obesos tais como os esteróides, insulina e a uma outra substância conhecida como “fator de crescimento semelhante à insulina”. No caso do câncer de esôfago acredita-se que a própria obesidade abdominal poderia contribuir para o refluxo gástro-esofágico e esse para o câncer. Maior incidência e mortalidade em obesos também foram observadas para câncer de vesícula, ovário (apesar de outros estudos não confirmarem), fígado, pâncreas, porção cárdica do estômago, mieloma múltiplo, linfoma não-Hodgkin e colo de útero. No caso da vesícula a obesidade poderia atuar indiretamente aumentando o risco de cálculos biliares, os quais têm sido considerados por alguns pesquisadores como fator de risco para o câncer de vesícula. O estudo não encontrou associação entre o IMC e mortalidade por câncer de cérebro, bexiga e melanoma de pele.

Concluem os autores que a prevenção das 90.000 mortes anuais por câncer que são imputadas à obesidade só pode ser levada avante com um grande investimento na promoção de atividade física e de hábitos alimentares saudáveis como normas culturais.

Colaboração: Dr. José Júlio Viana (jjrviana@yahoo.com.br) Gastroenterologista e Hepatologista Responsável pelo Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital de Câncer de Pernambuco.

Departamento Controle e Prevenção:
Dr. Jaime de Queiroz Lima – Médico; Chefe do Departamento
Dr. James Anthony Falk, Ph.D. – Assessor do Grupo de Pesquisa

HOSPITAL DE CÂNCER DE PERNAMBUCO
DEPARTAMENTO DE CONTROLE E PREVENÇÃO
Contato: Isabel Melo ou Jacqueline Tavares
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